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QUE
A CANÇÃO SEJA ELA
Por Aldir Blanc |
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A primeira vez em que ouvi Claudette Soares cantar ao vivo,
para meu deslumbramento, foi num show no Instituto de
Educação, no Rio, onde eu era um cara magrelo e com a barba
cheia de falhas. Eu tocava bateria num trio, desses que servem
pra esquentar a platéia (ou pelo menos essa era a intenção
daqueles jovens músicos...).
Claudette, como sempre inovadora, vestia um pretinho básico e
botas. Cantou “A Volta (Mila)”, de Menescal e Bôscoli, e eu,
no meu cantinho dos bastidores, chorei. Hoje, tenho 60 anos –
ou seja, enquanto eu envelhecia, Claudette entrava na idade
imutável das Musas. Em todo esse intervalo de tempo, ouvi
Claudette e jamais consegui que a interpretação de “A Volta”
não me fizesse chorar.
Claudette é dessas cantoras raras, que unem à indispensável
técnica intensa emoção interpretativa. Surgiram muitas
cantoras jovens, algumas excelentes, mas à possível exceção de
Leila Pinheiro, não sentimos nelas aquele frêmito que
Claudette nos causa: “Nunca mais vou ouvir nada assim,
Claudette é única”.
No presente (e bota presente nisso) CD, Claudette
transforma-se no sabiá de Tom Jobim, ou seja, com sua infinita
simplicidade, uma estrela de brilho incomparável interpreta
nosso maior compositor, e a emoção que me estrangula não foi a
noite que provocou, não foi o mar, não foi qualquer tipo de
paisagem, inútil ou não. A voz dela soa em seu novo CD e,
dessa vez, sou eu que volto àqueles bastidores onde vi, no
passado/presente, Claudette: “Quero ouvir a sua voz...”.“A
Volta” é um título paradoxal – porque eu estou indo aos
pouquinhos, mas Claudette firma-se onde sempre esteve, e faz
isso para que todos nós, integrantes fanáticos de seu
fã-clube, continuemos querendo que a canção seja ela.
Abril de 2007.
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